sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Arturo Merzario

Nascido em Civenna, região de Como este italiano hoje com 72 anos foi das figuras mais carismáticas  no mundo das corridas de automóveis.
Fiat Abarth 1000 TC
Nascido de uma família rica, nos anos sessenta conseguiu que o seu pai lhe desse um Alfa Romeu Giulietta para disputar o campeonato de turismos italianos. Em 1962 ao ser notado por Mario Angiolini, que viria a ser o fundador do Jolly Clube, pondo Arturio (nome que chegou a pôr no capacete, mas que foi um erro do notário ao ser registado) a correr com um Fiat Abarth 1000.
Um dos sport da Abarth classe 2000
No principio dos anos setenta, precisamente em 1970 o "Marlboro man italiano" corria com um prototipo da Abarth  em circuitos e provas de montanha e correu pela primeira vez com um sport da Ferrari o 512 S.
O Ferrari com que ganhou o Targa Flório
Foi sem dúvidas nos sport que Merzario, sem ser um fora de série, mas muito competitivo, conseguiu os seus melhores resultados ligado à Ferrari e mais tarde à Alfa Romeu.
Com a Ferrari venceu em 1972 com um 312 PB os 1000km de Spa e o Targa Flório esse fazendo equipa com uma figura, também ele mítico mas nos rallies, falamos de Sandro Munari.
Alfa Romeu 33
Foi também neste ano que Merzario fez a sua estreia em formula 1 pela Ferrari e logo no grande prémio do Mónaco. Continuou nos sport com a Ferrari tendo inclusive em 1973 feito segundo em Le Mans.
No fim dos anos setenta correu nos sport pela Alfa Romeu com o célebre 33 e voltou a vencer o Targa Flório em 1974.
Troféu Fiat Abarth
Arturo com Copersucar
Arturo Merzario depois de deixar a competição ao mais alto nível, principalmente a formula 1 no fim dos anos setenta, continuou a correr em GT com os mais diversos carros desde BMW M1, Porsches da Cup, Ferrari, Maserati, Lotus e Nissan. Pelo meio fez tambem o novo trféu Abarth como promoção ao seu inicio de carreira. Em 1985 fez o Campeonato italiano numa barqueta Lucchini / Merzario e em 1995 com 52 anos é convidado pela Maserati para fazer o troféu Ghibli. A sua última corrida foi em 2012 em Imola com um Lotis Exige.
Arturo na Ferrari  F1
Merzario com Iso-Williams
A sua passagem pela formula 1 não teve o mesmo sucesso que nos sport, pois apesar de andar desde 1972 até 1979 guiando para marcas como a Ferrari, Copersucar, Team Williams-Iso, e a sua própria equipa que começou com chassis March, Shadow e no fim um chassi próprio. 
Já na sua equipa com um March
Apesar de logo no primeiro ano 1972 com o Ferrari 312 B2 ter feito um 6º lugar em Inglaterra, depois apenas pontuou, igualmente com a Ferrari e no ano de 1973 novamente com o 312 B2 no Brasil e com o 312 B3 na Àfrica do Sul.
O Shadow da sua equipa
O acidente de Lauda e o socorro de Arturo



Tirando Lauda do "inferno"
Lauda quando recuperado dando uma prenda a Merzario

No entanto Arturo ficará para sempre ligado à história da formula 1, pois no grave acidente de Lauda na Alemanha Merzario é dos primeiros a chegar, não conseguindo inclusive evitar bater no Ferrari de Lauda em chamas e foi dos pilotos que tiraram Lauda do "inferno" salvando-lhe a vida. Lauda ficaria para sempre (ainda hoje) com uma amizade muito forte com o italiano.




















sábado, 18 de julho de 2015

Jules Bianchi

Jules Bianchi, a família comunicou na madrugada deste sábado (18/07/2015), através do facebook a sua morte, infelizmente já aguardada desde o violento acidente em Outubro de 2014 no Grande Prémio do Japão de formula 1.
Jules nascido em Nice a 3 de Agosto de 1989 já tinha no seu ADN  "gasolina" pois o seu avô Mauro Bianchi foi Campeão do Mundo de GT, e era sobrinho-neto de Lucien Bianchi que além de vencer Le Mans em 1968 ainda fez 19 grandes prémios formula 1.
Jules começou, como quase todos os jovens pilotos de formulas, pelos karts, saltando em 2007 para a formula Renault 2.0.
Jules nos tempos do kart
Nos anos de 2008 e 2009 competiu em formula 3
O passo seguinte será a formula 3 onde mais uma vez Jules dá nas vistas sendo sempre piloto do lote dos mais rápidos. Entre 2008 e 2009 Jules luta nessa categoria sendo em 2008 vencedor do Master Europeu de formula 3.
Em 2010 mais um passo na carreira de Jules Bianchi entrou para o Campeonato GP2 Series Àsia, com a equipa ART, uma das mais fortes do campeonato onde Jules deixou um conjunto de bons resultados, até ser atingido pelo piloto local  Hp-Pin Tung que resultou numa lesão grave com fractura da vértebra lombar.
Jules na formula Renault 3.5 Series
Apesar da gravidade da lesão, Jules recuperou a tempo do próximo campeonato em que foi terceiro no fim do mesmo, novamente com a equipa ART.
2012 foi 3º piloto da Force India
Em 2012 dá-se o regresso à Europa e mudança de campeonato, passando a competir na Formula Renault 3.5 Series.
Jules já tinha tido um contacto com a formula 1 e logo pela porta grande, pois a Ferrari integrou-o na sua Ferrari Driver Academy em 11 de Novembro de 2010 o confirma como  seu piloto. 
Mónaco 2014
O acidente no Japão
Portanto em 2012 além da Renault 3.5 Series a Ferrari colocou Jules como 3º piloto na Force India onde fez as sextas-feira em 9 grandes prémios, além dos testes com a Scuderia Ferrari.
Os primeiros socorros  no acidente do Japão
Jules piloto Ferrari
Por fim no ano de 2013 ao substituir na Marussia o brasileiro Luiz Razia, Jules começa a sua primeira época como piloto a tempo inteiro na formula 1 e que se iria continuar pelo ano de 2014, até ao infeliz acidente no Grande Prémio do Japão em Outubro. Na sua ligação à pouco competitiva Marussia temos que realçar o 8º lugar no Grande Prémio do Mónaco, que depois por penalização devido a ter-se colocado no lado errado da grelha, desceu ao 9º lugar tendo conseguido os seus primeiros pontos e da equipa.
O capacete de Jules na Ferrari
Infelizmente no Grande Prémio do Japão em Outubro de 2014 debaixo de forte chuva, quando as equipas de comissários tentavam retirar, com um empilhador grande, o Sauber de Adrian Sutil que se tinha despistado, é com uma enorme infelicidade que também ao despistar-se Jules vai embater contra o empilhador sendo a pancada toda no capacete deixando o jovem francês ligado às maquinas desde esse dia até hoje.
Morreu um piloto de futuro, pois se assim não o fosse nunca seria um protegido da Ferrari.



quinta-feira, 9 de julho de 2015

André Chardonnet

Nascido a oito de Outubro de 1923, este francês de nome André Chardonnet foi dos empresários com mais sucesso no ramo automóvel.
Carimbo da Bristol
Um dos cabriolets transformados por Chardonnet
Iniciado o negócio da representação de automóveis para França, pelo seu pai em 1910 com a marca inglesa Bristol, André criou um império importando diversas marcas, mas foi com a  Neckar uma marca alemã sobe licença da Fiat que em 1959 o Réseau Chardonnet começa a ramificar chegando aos 200 agentes por toda a França.  O italiano Piero Boneli que era o administrador da Neckar, em 1962 passa a responsável pelas exportações da Fiat "empurrando" para o grupo Chardonnet a Autobianchi e mais tarde a Fiat, Lancia e Maserati, que se juntaram às outras marcas que já tinham AC, FSO, Polski, etc.
Mahé, André e Darniche
Outra das virtudes da Chardonnet foi de transformar, através de preparadores como a Michelotti, carros de pequena cilindrada em bonitos cabriolets como foi o caso do Fiat 600.
André sempre foi um apaixonado pelo desporto automóvel, e em especial pelos rallis chegando inclusive a estar perto do podium em 1960 no Ralli de Monte Carlo com um Citroen DS19.
O Stratos numa assistência no Monte carlo
Outras cores mesmos pilotos
Na sua ligação ao grupo Fiat fez correr pelas suas cores muitos pilotos franceses de nomeada como Michele Mouton, Jean-Pierre Malcher, Bruno Saby, François Chatriot, Bernard Darniche e Jean Claude Andruet, conquistando 3 vitórias no Campeonato do Mundo de Rallies, 2 titulos de Campeão de França e 2 titulos de Campeão da Europa. 
O troféu Autobianchi A 112 Abarth
Andruet com o Lancia 037
Uma assistência da Chardonnet com o 037
A principal referência foi a tripla Lancia Stratos / Bernard Darniche / Alain Mahé que deram verdadeiros recitais de condução em especial no Monte Carlo que venceram em 1979. Andruet também nas épocas de 1983 e 1984 marcaram com o Lancia, mas agora o 037 azul com o patrocínio da Pionner.
Também ficará para sempre ligado à Chardonnet o Autobianchi  A112 Abarth que com a ajuda do Eng Lampredi transformaram os 58 HP do motor 1200cc para 70 HP fazendo do carro um verdadeiro carro de corrida em GR.2 e que deu origem a um troféu de sucesso e de onde emergiram muitos pilotos.
Para termos uma ideia do que chegou a ser este império no ramo automóvel, nos seus anos dourados a Chardonnet chegou a ter 1% do mercado Francês que equivale a 26.000 carros vendidos num ano o que para um privado era mesmo muito bom !!!
O seu neto Sebastien Chardonnet
No entanto o mercado foi mudando e em 1988 a Fiat passou a ser ela a representante para França e também acompanhada das primeiras crises no sector a Chardonnet ficou limitada à Maserati a Hunday e pouco mais pelo que hoje é uma estrutura pequena em que a vertente da competição apenas passa pela "reabilitação" dos A 112 Abarth para corridas de clássicos, e a continuidade nas competições também é feita pelo seu neto Sebastien Chardonnet que tem um vinculo à Citroen sendo apontado como mais um "Sebastien" (já lá está Ogier e esteve Loeb) nos rallies franceses.
André Chardonnet morreu vitima de doença prolongada em 2005.


quinta-feira, 4 de junho de 2015

Duarte Benavente

Antes de começar esta crónica devo esclarecer que sou amigo pessoal do Duarte Benavente, e como a modalidade por ele praticada, embora motorizada (e de que maneira) tem os circuitos desenhados em agua, embora não se utilizem pneus de chuva nem tão pouco slicks, talvez não se enquadre totalmente no "nosso" blogue mas mesmo assim achei que era importante dar a conhecer a história do nosso único piloto que já há largos anos disputa o principal campeonato do mundo de motonáutica, embora os media só volta não volta se lembram dele e até a sua própria federação talvez e repito talvez não lhe tenha dado todo o apoio que ele merece.
Nos inicio da F1 com o Burgess
Mário Luis Benavente
O logotipo da equipa
Cockpit do Baba
Sob os comandos da UIM (União Internacional de Motonáutica) e tendo como promotor a F1H2O (podem ver em www.f1h2o.com) o Campeonato do Mundo de F1 em motonáutica e composto por várias provas espalhadas pelo mundo em cidades como Doha (QAT), Evian (FRA), Porto (POR), Liuzhou (CHI), Xangai (CHI), Abu Dhabi (UAE), Sharjah (UAE) que são em tudo similares ao seu campeonato irmão de quatro rodas. Os vários team utilizam cascos de diferentes fabricantes embora os motores sejam todos iguais, variando na sua preparação e claro conforme a "bolsa" de cada equipa. Os motores são Mercury a dois tempos, V6 com 2.500cm3 perto de 400hp (depois de preparados) e que fazem, graças ao peso de cerca de 500Kg para o barco, um arrepiante 0 - 160 Km/h em 4 segundos !!!
Apresentada a disciplina vamos ao nosso piloto, filho de um antigo praticante e grande impulsionador deste projecto, Mário 
Este foi o Burgess de F4 Campeão do Mundo em 2001
Luis Benavente, passou o vicio das corridas ao Duarte que depois de fazer a sua primeira corrida em 1989 numa classe de iniciação (T-850) depressa passou para os barcos mais competitivos os S-850 ou F4 onde se sagrou campeão nacional de 1991 a 1998, foi campeão Ibérico de F4 em 1995, 1996 e 1997, campeão europeu de F4 em 1998 também em 1998 faz as sua primeiras provas em F2 sendo campeão Ibérico de F2, em 1999 ganha a multicopa Espanha F1 e em 2001 consegue ser campeão do mundo de F4 (titulo que perseguia à dois anos) parando de vez a sua actividade na F4 e estreando-se em 2002 na F1 com um Burgess de fabrico inglês integrado na equipa italiana de Franco Cantando fazendo no seu primeiro ano um magnifico 8º lugar no fim do campeonato.
O BABA de F2 em Italia 2014
O camion da equipa para eventos sem ser a F1
Dois barcos de F2 no camion
Dois anos depois funda a sua própria equipa F1 Atlantic Team que ainda hoje corre com bandeira Portuguesa no campeonato e por ela tem passado vários pilotos, sempre a fazer equipa com o Duarte Benavente que já conta com 129 grandes prémios disputados, seis pódios e por duas vezes 7º no campeonato (2003 e 2014). Na época de 2015, e também em 2014 o outro piloto do F1 Atlantic Team é Yousef Al-Rubayan do Kuweit que corre com um DAC e Duarte correu a época passada e as duas primeiras provas deste ano num BABA ambos os barcos de fabrico italiano e muito similares. Talvez um dos erros de Duarte neste projecto tenha sido a sua fidelidade a um fabricante (BURGESS) que sempre o acompanhou desde a F4 mas que efectivamente nunca foram barcos competitivos nos últimos 10 anos em F1. Em 2014 Duarte Benavente começou a guiar os BABA tanto em F1 como em F2. Duarte que devido ao calendário
A tenda montada ao lado do camion
de F1, por culpa da actual crise internacional estar mais reduzido, voltou sem "medos" pois o seu espírito é esse mesmo o de competir, a guiar um F2 o que nem todos os pilotos se disponibilizam visto ser um "risco" vir da 1º divisão fazer corridas na 2ª podendo não ganhar, mas quando existe confiança ganha-se sempre, porque é sempre melhor rodar a estar longos tempos parado.
Fotos do contentor da formula 1
Montagem do padock F1
A equipa sediada em Vila Fresca de Azeitão tem uma estrutura para
O 3º lugar no Qatar em 2014
F! Atlantic Team
os eventos fora da formula 1 (F2, exposições, etc) de um camion oficina, que transporta dois barcos. Toda  a complexa logística que faz andar pelo mundo o material para a formula 1 é da responsabilidade do promotor, que entrega ás equipas um contentor grande que as mesmas preparam para ser um armazém que para além dos barcos leva toda a estrutura com que se monta o padock e as box além do material suplente.
O ano de 2014 acabou com um magnifico 3º lugar no Qatar numa época de aprendizagem ao novo conjunto da BABA, tendo sido um ano com algumas desistências por pequenos detalhes. A equipa cada vez está mais competitiva e agora com a vantagem de ser quase 100% composta por um staff  português (apenas um mecânico não o é embora viva em Portugal já faz uns anos).
Uma das particularidades do campeonato promovido pela F1 H2O é que todas as equipas são obrigadas a ter um barco de F4S como categoria de promoção e que servem para complemento do programa dos grande prémios. A F1 Atlantic Team ganhou esse campeonato em 2014 e 2013 através do seu Barco Molgaard pilotado pelo jovem alemão de 21 anos Mike Szymura. Já tinha sido 2º no campeonato de 2012 e novamente 1º em 2011 mas dessas duas vezes através do piloto inglês Mattew Palfreyman.
Este o BABA de F1 que fez a época de 2014
Voltando a formula 1 a época de 2015 iniciou com a corrida de Doha (no mesmo local onde acabou a época de 2014) e era espectável uma boa corrida depois do 3º lugar da época anterior, mas com problemas mecânicos nos treinos que apenas deu direito ao 14º tempo da grelha que iria tornar a corrida muito difícil. Com a agua no dia da prova a não estar nas melhores condições tornou-se uma corrida muito complicada que se saldou num 10º lugar conseguindo ainda marcar 1 ponto.
A próxima prova é em França (Evian) onde a Atlantic Team vai fazer a despedida do BABA pois vai estrear, na próxima prova (Porto), um novo barco do fabricante MOORE que resolveu apoiar a equipa portuguesa, pois já apoiava a equipa campeão do mundo (Team China).
Esperamos que o MOORE esteja já bem afinado e rodado para o nosso grande prémio no Porto e que Duarte Benavente e a sua briosa equipa consiga dar uma alegria aos portugueses que decerto irão aderir em massa a esse evento no lindíssimo rio Douro.
Uma partida
Um dos homens do staff Firmino Reis
OK até lá
Força Nico (nome por que o Duarte é conhecido entre os amigos) nós contamos contigo e tu mereces por todo o esforço que tens feito estes anos em levar o nome deste país aos quatro cantos do mundo com a nossa bandeira no padock, pelo silencio de muitos media que teimam em por vezes te esquecer, pela "tua" federação que por vezes também não sabe dar valor ao piloto que a representa ... mostra a todos a fibra de que és feito!!
Um motor desarmado
Até dia 2 de Agosto campeão








Duarte Benavente numa imagem espectacular, só a hélice está na agua