terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Jean-Pierre Jabouille

Foi dos últimos de uma geração de pilotos de formula 1 com o curso de engenheiro mecânico, este francês nascido em Paris no primeiro dia de Outubro do ano de mil novecentos e quarenta e dois com o nome de Jean-Pierre Jabouille.
Filho de um conhecido arquitecto parisiense, Robert Jabouille, responsável pela Pont de Gronelle e pela Avenida dos Cisnes, Jean-Pierre resolveu seguir por outro caminho tirando uma licenciatura em engenharia mecânica e em mil novecentos e sessenta e seis resolveu fazer a Cup Renault R8 Gordini, passando logo no ano seguinte para os formulas, mais precisamente a F3 francesa.
Na sua passagem pela Alpine com o A220 que desenvolveu
Com o Matra MS670 correu quatro vezes em Le Mans
1976 Campeão Europeu F2
Em mil novecentos e sessenta e oito teve o seu primeiro contrato como profissional, pela Alpine, como piloto de desenvolvimento dos A220, com que correu em Le Mans nesse ano e no seguinte embora com duas desistências. Também fazia parte do contrato o desenvolvimento dos motores gordini que equipavam as equipas de F2. Em mil novecentos e setenta além das corridas de F2 fazia também parte da equipa Matra-Simca, que por quatro anos, concorreu em Le Mans. Dessas participações deixaram no seu palmarés dois 3º lugares em setenta e três com Jean-Pierre Jassaud e em setenta e quatro com François Migault. Foi também no ano de mil novecentos e setenta e quatro que fez a sua estreia em F1, quando guiando um Iso da equipa Williams se
Na Renault fez Le Mans com o A442 
tentou qualificar no "seu" GP de França, embora sem sucesso. Nesse mesmo ano ainda tentou no GP Austria agora num Surtees TS16, mas novamente sem se conseguir qualificar. Em mil novecentos e setenta e cinco cortou a sua ligação com a Alpine e formou com o forte apoio da elf a sua equipa de F2, também, mais uma vez tentou qualificar-se no GP de França e desta vez com um terceiro carro do Team Tyrrel, um 007, o que conseguiu acabando a corrida no 12º lugar.
O desenvolvimento do RS01 foi bem complicado
Mil novecentos e setenta e seis resolveu dar prioridade ao campeonato de F2, que viria a ser campeão europeu, apesar de já ir fazendo testes de desenvolvimento do projecto Renault F1, e também fez Le Mans com um Renault A442, mas mais uma vez sem acabar.
A histórica vitória no GP França e a sua 1º vitória também
Eis então que surge o grande momento na sua carreira ao ser contratado pela Renault para ir desenvolvendo o projecto inovador do motor turbo. Graças às novas regras de motores impostas pela FIA, a Renault viu um bom argumento no bloco Gordini V6 biturbo que usava nos A443, embora tivesse que reduzir a cilindrada para uns "minusculos" 1500cc.
O seu último Renault o RS20
Começa então o Renault RS01 a competir a meio do campeonato do mundo de mil novecentos e setenta e sete, mas com resultados finais fracos, pois o motor tinha bastante potência mas a sua fiabilidade era muito reduzida fazendo com que não acabassem nenhuma prova. No ano seguinte (setenta e oito) já conseguiram acabar algumas prova e pontuar, acabando com o 4º lugar no GP USA um bom pressagio para a próxima época. A época de mil novecentos e setenta e nove encarada pela Renault com mais optimismo levou a que fosse contratado um colega de equipa para fazer companhia a Jabouille, a escolha recaiu em René Arnoux, seu "velho" conhecido da F2 e já foi um ano bem mais positivo com o modelo RS10 conseguiram inclusive a primeira vitória de um motor turbo na F1 moderna, e por Jean-Pierre Jabouille.
A última época em F1 com Ligier JS17 - matra V12
5º lugar em Le Mans 1989 com o Sauber C9 - mercedes
Foi uma vitória histórica, pois uma equipa francesa (Renault) com motor e chassi próprios, com patrocínio francês (elf) com pneus franceses (michelin) e com um  piloto francês (Jabouille) ganha o GP de França, e o outro piloto da equipa (Arnoux) faz o 2º lugar!!!
O Peugeot 505 turbo da superprodução francesa
Melhor, só mesmo de encomenda. A competitividade dos Renault aumentava e a rivalidade entre os pilotos também, pelo que se procuravam sempre os melhores lugares o que levou com que por vezes se fosse um pouco além dos limites e se acumulassem algumas desistências. Em mil novecentos e oitenta Jabouille voltou a ganhar um grande prémio, o da Austria, mas continuou a ter muitas desistências no novo RS20, pelo que o levou a assinar ainda antes da época acabar pela Ligier. Porém a época não iria chegar ao fim para Jabouille pois no GP Canadá uma falha da suspensão provoca um despiste que lhe vai originar a fractura de uma perna.
No Peugeot 905  fez dois 3º lugares em Le Mans
A sua próxima época com a Ligier estava ameaçada, pois a sua recuperação só lhe permitiu começar a competir no GP da Argentina, perdendo as duas primeiras corridas. No entanto a sua condição física e psicológica nunca mais foi a melhor e dos cinco grandes prémios disputados com o Ligier JS17 com o seu já conhecido motor Matra V12, não se conseguiu classificar em três e desistiu em duas, pelo que levou com que Jean-Pierre Jabouille abandonasse as competições a meio da época de mil novecentos e oitenta e um.
O motor V10 que Jabouille levou para as equipas de F1
Jean-Pierre Jabouille só voltou à competição sete anos depois, quando em mil novecentos e oitenta e nove foi convidado pela Sauber com o forte (ou total) apoio da Mercedes para dividir a condução de um C9 com os franceses Jean-Louis Schlesser e Alain Cudini nas 24 horas de Le Mans, que viriam a acabar no 5º lugar.
Em 2005 numa prova do campeonato francês com Prost
O "bichinho" da competição ficou lá e resolve voltar a correr, mas a nível interno, e com a PTS disputou o campeonato de superprodução francês, ao volante de um Peugeot 505 turbo. Como já estava na casa, Jean Todt convidou-o para integrar o projecto 905 da Peugeot e mais uma vez para desenvolver o carro. Jean-Pierre foi um piloto rápido, mas a grande vantagem que a sua formação académica lhe dava, era melhor entender e explicar dados técnicos às equipas, o que levou muitas das vezes a ser contratado abdicando as equipas da rapidez, ou guardando isso para outros. Assim Jabouille fez com o Peugeot 905 três campeonatos do mundo de resistência e com isso mais dois 3º lugares em Le Mans, com Mauro Baldi e Philippe Alliot nos anos de mil novecentos e noventa e dois e noventa e três.
1984 / 1985 fez o Dakar com um Lada  Niva
Em 1988 Dakar num Porsche e com Laffite como colega
Com a saída de Jean Todt da Peugeot, foi Jabouille que ficou com o cargo de director da Peugeot Sport, pendurando uma vez mais as luvas. Com o abandono dos Peugeot 905, recuperou-se o motor V10 para os regulamentos de F1 e foi essa a difícil tarefa de Jabouille era ele o "homem" da Peugeot na estrutura da McLaren inicialmente e depois da Jordan que equiparam os seus chassis com o motor Peugeot.
Este projecto da Peugeot Sport foi um enorme falhanço que levou Jabouille a pedir, ou ser obrigado a pedir, a sua demissão em mil novecentos e noventa e cinco.
Foi então que Jean-Pierre Jabouille formou com um sócio a equipa JMB que tem feito provas FIA de sportscar, provas do campeonato francês e do troféu Andros. Pontualmente Jean-Pierre Jabouille ainda fez algumas provas do troféu Andros e da Porsche Supercup.
Para o fim, guardei a vertente fora de pista de Jean-Pierre Jabouille, que como qualquer piloto francês da sua geração, teve que ter, pelo menos uma vez, uma passagem pelo mítico Rallye Paris / Dakar.
E assim foi Jean-Pierre fez em  mil novecentos e oitenta e quatro e oitenta  cinco o Paris / Dakar com um Lada Niva, e mil novecentos e oitenta e oito numa equipa que teve como colega um outro piloto ex-F1 Jacques Laffite, com uns bem preparados Porsches.









sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Jean Todt

Em vinte cinco de Fevereiro de mil novecentos e quarenta e seis, na pequena vila de Pierrefort nascia filho de um médico judeu que tinha fugido da Polónia para a França, Dato Seri Jean Todt.
Com o Alpine A110 e Ove Andersson
Jean Todt fez os seus estudos na EDC (École des Créateurs Dirigenstes et d´Entreprises) e passava os seus tempos livres, na Garagem Madeleine em Asuières, perto de Paris onde tinham o primeiro contacto com o desporto automóvel.
Monte Carlo 1972 um 3º lugar com Rauno Aaltonen
Depois de acabar os seus estudos superiores na faculdade de Economia e Negócios em Paris, fez as suas primeiras tentativas como piloto num Mini Cooper, mas sem grandes resultados e logo percebeu que o seu futuro passava por ser co-piloto.
No Fiat 124 Spyder Abarth pilotado por Hannu Mikkola
Em mil novecentos e sessenta e seis começa a sua carreira como co-piloto, sendo o seu primeiro piloto o francês Guy Chasseuil.
Logo se fez notar que além do cálculo as suas capacidades fora do normal em estratégia e organização das equipas. Em mil novecentos e sessenta e nove passou para o Campeonato do Mundo onde andou ao lado de grandes pilotos como: Jean Pierre Nicolas, Rauno Aaltonen, Ove Andersson, Hannu Mikkola, Achim Warmbold e Guy Fréquelin e das principais equipas da altura, que lhes reconheciam as tais capacidades.
O Tour Auto no Matra MS 650 
Em 1981 na Talbot o seu último ano como co-piloto 
Venceu também a prestigiada e singular prova Tour Auto, navegando Jean Pierre Beltoise e Patrick Depailler no Matra MS 650.
Os pais do projecto 205 T16, Jean Boillot, Todt e Nicolas
No ano de mil novecentos e oitenta um, fazia o mundial a navegar o seu compatriota Guy Fréquelin que com um Talbot, subsidiária da Peugeot, são vice campeões do mundo e a Talbot ganha por marcas o campeonato.
O grupo PTS-Peugeot Talbot Sport reconhece em Todt as tais capacidades e no ano seguinte, mil novecentos e oitenta e dois é convidado para dirigir a parte desportiva do grupo.
Peugeot 205 T16
A sua passagem como director desportivo da Peugeot ficará para sempre na história da marca e do desporto automóvel, pois foi pela mão de Jean Todt, com orçamentos mais limitados que os da concorrência, que três grandes projectos da PTS venceram. O 205 turbo 16, o 405 turbo 16 e o 905 foram projectos que Todt concretizou com enorme sucesso até ao ano de mil novecentos e noventa e três.
O Peugeot 405 T16 no seu habita natural, o Dakar
Em Pikes Peak Vatanen brilhou com o 405 T16
Primeiro com os maravilhosos Peugeot 205 T16 de grupo B, pilotados por Jean Pierre Nicolas, um velho conhecido seu que foi o piloto de testes e de desenvolvimento desse projecto que também guiou em algumas provas, e pela fina flor dos finlandeses Timo Salonen, Ari Vatanen e Juha Kankkunen que conseguiram os títulos de pilotos e marcas em mil novecentos e oitenta e cinco e seis.
Este projecto foi brutalmente cortado devido aos problemas relacionados com a morte Toivonen que pôs fim aos grupos B.
Todt, aproveitando todo o potencial dos 205 T16 e com algumas alterações direccionou-se para as provas africanas que nessa altura estavam no auge principalmente com o Paris / Dakar. Ao fim do primeiro ano e depois de retirados os ensinamentos necessários nasce o seu segundo projecto na PTS o 405 T16 especificamente feito para o Dakar que conseguiu vencer durante quatro anos seguidos, mil novecentos e oitenta e sete, oito, nove e mil novecentos e noventa.
Também aproveitou o Peugeot 405 T16 que com umas alterações deixou todos de "boca aberta" com os tempos que Ari Vatanen fez na célebre rampa americana de Pikes Peak, batendo largamente todos os recordes que existiam dessa prova. Nesse ano foi o último do projecto 405 T16, sendo o mesmo cedido à "irmã" Citroen para continuar com ele, embora com outro "visual" da marca do duplo chevron.
O terceiro projecto de Todt na PTS seria com o protótipo 905 com o objectivo de tentar vencer Le Mans.
O projecto Peugeot 905, ultimo de Todt na PTS,  que conseguiu com grande brilhantismo vencer  Le Mans 1992 - 1993
Grande amizade nasceu desta cumplicidade de dois talentos
E foi assim que os dois últimos anos de Jean Todt na Peugeot foram passados, logo no primeiro ano mil novecentos e noventa e dois o Peugeot 905 vence Le Mans com os pilotos Derek Warwick, Mark Blundell e Yannik Dalmas, para no ano seguinte voltar a vencer através de Geoff Brabham, Christophe Bouchut, Eric Hélary e para acabar em beleza fez o 1-2-3 nesse último ano brilhante de Jean Todt na PTS.
Sobe o seu comando tudo tinha que correr sobre carris
Ainda no ano de mil novecentos e noventa e três, Luca de Montezemolo agora CEO da Ferrari resolveu dar uma reviravolta na Scuderia que andava afastada dos títulos e convidou Jean Todt para chefiar o departamento desportivo de Marenello. Jean Todt começou um árduo trabalho de reorganizar a equipa Ferrari que estava arredada de um título desde mil novecentos e setenta e nove, começando o seu trabalho nos bastidores pois ter a sua disposição cerca de 400 técnicos era uma nova realidade na sua vida.
Uma grande ajuda na estrutura foi a contratação de Brawn
No dia 1 de Julho, desse ano, Todt já estava no terreno com a Ferrari no grande prémio de França.
Em mil novecentos e noventa e quatro já se começa a ver alguns efeitos da "revolução Todt" e Berger consegue ganhar na Alemanha, mas a Williams com Senna (até Imola) Hill e Coulthard e a Benetton com Shumacher, ainda eram superiores à Ferrari.
No fim do ano seguinte (noventa e cinco) Todt conseguiu "roubar" Shumacher, o melhor piloto na altura, à Benetton e com ele dar uma nova vida na Scuderia. E na realidade o ano de mil novecentos e noventa e seis começa em grande logo com duas vitórias consecutivas de Shumacher, mas ainda faltava algo na Ferrari para ser mesmo ganhadora, e sem pensar duas vezes volta a ir a Benetton desafiar o designer Rory Byrne e o director técnico Ross Brawn, ao mesmo tempo que acabava o reinado de John Barnard na Ferrari.
Raikkonen deu-lhe um título em 2007
Agora sim Todt tinha apostado as fichas todas, e mesmo assim levou três anos e outros tantos títulos (1 para Villeneuve/Williams e 2 para Mika Hakkinen/McLaren) para pôr a "máquina" em pleno funcionamento. Mas quando acertaram "todas as agulhas" escreveu-se uma das páginas de ouro da Ferrari.
Jean Todt conseguiu na sua passagem pela marca do cavalinho a linda soma de 106 vitórias e 14 títulos mundiais!!!
E como se não bastasse dos oito títulos de construtores (1999/2000/2001/2002/2003/2004/2007/2008) seis deles foram seguidos e dos seis títulos de pilotos um com Raikkonen em 2007 e cinco com Shumacher (2000/2001/2002/2003/2004) estes também seguidos tudo coisas inéditas para a Ferrari.
Nicolas Todt acompanhado do malogrado Lucian Bianchi
Em dois mil e seis assume o cargo de Assessor Especial para a Scuderia Ferrari ao mesmo tempo que Shumacher se retira.
Em dois mil e sete e dois mil e oito começa a preparar a passagem do comando da Scuderia para o italiano Stefano Domenicali que já fazia parte da estrutura elaborada por Todt.  Em Março de dois mil e nove Jean Todt abandona a estrutura da Scuderia Ferrari onde estava desde mil novecentos e noventa e quatro.
Jean Todt e a sua esposa
Saiu pela porta grande, deixou um legado na Ferrari difícil de igualar, e verdade seja dita que desde a sua saída a Ferrari tem andando a navegar em águas muito turvas. Mas Jean Todt "O Napoleão" alcunha que ganhou por causa da sua estatura e das suas vitórias, já estava a preparar mais uma etapa na sua vida e em Abril de dois mil e nove entrou para a FIA como presidente do "e Safety Aware" divisão que promove as viaturas inteligentes, com novas tecnologias e segurança. Mas Todt queria mais e em vinte e três de Outubro de dois mil e nove Jean Todt foi eleito presidente da FIA com 135 votos a favor e 49 contra. Entretanto em Dezembro de dois mil e treze voltou a ser reeleito por mais quatro anos.
Jean Todt tem um filho do seu primeiro casamento, Nicolas Todt que hoje é co-proprietário da equipa ART Grand Prix GP2 e ao mesmo tempo agente de Felipe Massa, Pastor Maldonado, Jaime Calado e da nova coqueluche do WTCC José Maria Lopéz e também era da grande esperança francesa que infelizmente faleceu naquele estúpido acidente no Japão, Julien Bianchi.
Jean Todt é casado pela segunda vez com a bela japonesa Michelle Yeoh.







quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Jean - Luc Thérier

Antes de começar a crónica deste francês, nascido em Hodeng- au-Bosc, a sete de Outubro de mil novecentos e quarenta e cinco, hoje com setenta anos, tenho que contar uma história passada comigo no ano de mil novecentos e setenta e nove à porta do antigo Hotel Estoril Sol.
Em 1969 fez o 3º lugar na Coupe Gordini em Le Mans
1969 em Le Mans com o Alpine A210 ficou em 10º lugar
O meu amigo Alexis Bulgari disputava esse ano o Rallye de Portugal com o seu Opel Kadett GTE, e estávamos todos hospedados no referido hotel, quando por volta da meia noite vim à entrada principal fumar um cigarro e apanhar um pouco de ar. Eis quando começo a ouvir na marginal do lado de Cascais para Lisboa o som inconfundível dos carburadores e escape de um carro potente, que passava de caixa a um ritmo alucinante. De repente vejo aparecer a uma velocidade razoável um Toyota Celica 2000 todo branco que se encosta na faixa da direita da marginal e com um golpe de volante, começa a descrever aquele "gancho" improvisado que era as quatro faixas da marginal (duas Cascais/Lisboa e do outro lado o inverso) e a entrada para a recepção do Estoril Sol, sempre numa derrapagem ao estilo drifting , e ficou parado milimétricamente encostado às escadarias da entrada onde eu estupefacto olhava, com os olhos bem abertos, para tudo aquilo. Do Celica branco de treinos, abre-se a porta do navegador, Michel Vial, e do colo do mesmo que ria, assim como o piloto, Jean-Luc Thérier, que também se ria até não haver amanhã, sai com um ar completamente alucinado e a correr escadaria acima, uma linda francesa dos trinta e tal anos, que só gritava: "c´est fou ... c´est fou ... c´est fou" !!!
Em 1973 no Rallye Tap conseguiu uma vitória.
No mesmo ano aqui na Acrópole que também venceu
Jamais esquecerei estas imagens, e era mesmo assim a filosofia deste piloto ... primeiro, acima de tudo a satisfação pessoal em tudo o que fazia.
Tendo começado aos quinze anos a disputar provas de karting, tendo chegado mesmo a campeão da normandia aos dezoito anos. Aos vinte e um anos começou nas provas de estrada, e como estava ligado profissionalmente à Citroen, pois tinha uma concessão em Neufchâtel-en-Bray, começou com modelos pouco competitivos da marca, até que resolveu em mil novecentos e sessenta e nove,  fazer a "coupe gordini", com os Renault R8, ficando na final desse ano, disputada em Le Mans, com o 3º lugar. Começava aí uma grande ligação com a marca francesa.
Na sua passagem para os rallyes, fez parte da equipa que foi o terror dos rallyes mundias, a Alpine Renault com os A110 primeiro com motores 1600cc e depois com motores 1800cc. Ficaram conhecidos pelos "Mosqueteiros" ele, Nicolas, Darniche e Andruet, que deram o título de marcas à Alpine Renault em mil novecentos e setenta e três. Nessa altura só havia título para as marcas, porque se houvesse para os pilotos, Thérier teria sido campeão.
Com o Porsche 911 SC venceu a Corsega em 1980
Com este Porsche deu festival até desistir em Portugal 1981
Ao mesmo tempo esteve também com a Alpine nas 24 horas de Le Mans em mil novecentos e sessenta e sete, oito e nove com os modelos M64, A210 e A220. Apenas em sessenta e oito acabou a clássica prova num 10º lugar da geral, acompanhado de Bernard Tramout com o modelo A210. Voltou mais tarde em mil novecentos e setenta e sete com o A310, mas voltando a desistir.
O ano de mil novecentos e setenta e três foi um grande ano para Thérier e para a Alpine, Jean-Luc ganhou nesse ano o rallye Tap, rallye Acrópole e rallye de Sanremo. Voltou mais tarde a ganhar outra prova do campeonato do mundo, sete anos depois em mil novecentos e oitenta, na Volta à Corsega com um Porsche 911 SC dos irmãos Alméras.
Dos quarenta e sete rallyes disputados no campeonato do mundo, Thérier ganhou quatro mas teve inúmeros pódiuns.
1980 Portugal/gancho da Peninha equipa Toyota
Foi piloto da Alpine Renault como frisámos, guiou também para os irmãos Alméras com os seus Porsches no campeonato francês e em algumas provas do campeonato do mundo, assim como para a Toyota com os modelos Corolla e Celica e com a Renault e os R5 turbo oficiais ou semi oficiais como o seu último rally disputado, o Monte Carlo de mil novecentos e oitenta e quatro.
O mais        impressionante em Jean-Luc Thérier era a satisfação que tirava do acto de conduzir, era um prazer para ele guiar depressa, fosse qual fosse o carro, o "gozo" era sempre máximo.
Em 1979 com um VW Golf GTi no Monte Carlo
O seu grande problema era a preparação das provas que com o aumento de competitividade entre as marcas, aquela parte "romântica" dos rallyes antigos, os longos almoços e jantares bem regados, as partidas entre pilotos e os treinos em conjunto, como de uma romaria se trata-se, tinham o seu fim anunciado, e entravamos na época dos muitos testes, regimes alimentares para os pilotos, etc ... etc.
Talvez um grande título nunca lhe tenha sorriso, precisamente por isso, basta dizer que o seu rallye favorito era o RAC e porquê?
O seu último rally, Monte Carlo 1984 com Renault R5 turbo
Pois porque foi secreto durante muitos anos, não havia reconhecimentos, era chegar e guiar na base do instinto e sem dúvidas era aqui que Thérier  pura e simplesmente era... o maior !!!
No entanto foi por 3 vezes campeão de França, ou em terra como em oitenta com um Toyota Celica, como em asfalto no seu ano de ouro setenta e três no Alpine A110 e oitenta e dois com um Renault R5 Turbo.
A última aventura Dakar 1985 - Citroen Visa 1000 pistas
Jean-Luc era um piloto muito completo, andava depressa no asfalto, na terra e na neve, com tracções à frente, com tudo atrás, com carros de muita potência, com carros de baixa potência,  por isso ser procurado pelas marcas para completar as equipas, pois conforme já frisámos atrás sem ser o piloto de ponta, por não querer seguir a tal "ditadura" dos novos tempos, era aquele que completava a equipa sem ser preciso ir buscar especialistas para a neve, ou para as provas de asfalto ou para as de terra, ele estava lá para todas.
Claro que com o seu gosto pela aventura, uma das provas mais mediáticas desses anos, o Dakar, começava a chamar por ele. O fascínio da aventura, da condução de improviso fez com que Jean-Luc Thérier aceitasse o convite para guiar um Citroen Visa 1000 pistas no Dakar !!!
Só mesmo ele para um desafio desses, quando já as marcas se faziam representar com protótipos de elevado nível de preparação.
Palavras para quê !!!  É Jean-Luc Thérier nos dias de hoje
Infelizmente nesse ano de mil novecentos e oitenta e cinco na 3º étape da prova um violento acidente acabou com a carreira de Jean-Luc Thérier ao provocar graves lesões irreversíveis no braço esquerdo.
Ainda hoje com setenta anos, Jean-Luc Thérier acompanha alguns rallyes mantendo sempre a boa disposição que teve durante a sua carreira.
Uma das coisas que mais me impressionou foi na pesquisa que fiz para esta crónica, vi centenas de fotos dele e uma constante em todas as fotos em que se consegue ver bem a cara ... é o seu ar de satisfação, de quem vai mesmo a "curtir a cena" ... quem vai mesmo a "gozar" o momento.
Não deveria ser sempre assim?
Por isso Jean-Luc Thérier, aquele que já tinha visto em várias classificativas passar sempre a fundo, aquele que vi fazer aquela entrada triunfal no Estoril Sol, será sempre o piloto de rallyes que mais gostei até hoje, analisando vários aspectos que não só o palmarés.
"C´est fou hem" !!!





sábado, 19 de dezembro de 2015

Michele Alboreto








Nascido em Milão no ano de mil novecentos e cinquenta e seis , Michele Alboreto era filho de uma família de apaixonados pelo desporto automóvel, pelo que cedo começou a ir para Monza com a sua família ver corridas. O seu piloto preferido era Ronnie Peterson, daí a decoração do seu capacete em amarelo e azul como homenagem ao sueco. A sua outra grande paixão era o futebol que praticava, até o dia que começou a fazer provas da formula monza em mil novecentos e setenta e sete. Os formulas monza eram pequenos formulas com motor Fiat 500cc de dois cilindros, que cedo se revelaram insuficientes para as aspirações de Alboreto, pelo que seguiu para as formulas acima até ao ano de mil  novecentos e oitenta em que foi campeão europeu de formula 3.

Alboreto com o March de F3 que foi Campeão da Europa
Essa vitória assim como o segundo lugar do campeonato italiano de formula 3, abriu-lhe as portas para um teste na Tyrrel e com isso a sua entrada para a equipa inglesa em mil novecentos e oitenta e um.
Tyrrel  011 a primeira vitória em F1
Além da Tyrrel com quem assinou por três anos, Alboreto também assinaria por igual período com a equipa Lancia / Martini de resistência. Nesse primeiro ano Alboreto guiou o Tyrrel 010 e depois o 011 no ano de aprendizagem para a formula 1, em contrapartida com o Lancia Beta Montecarlo grupo 5 e na companhia de Eddie Cheever e Carlo Facetti foi segundo da classe e oitavo da geral em Le Mans. Começa aqui uma grande história de amor por Le Mans.
O bonito Lancia/Martini LC1 que Michele guiou em 1982
O seu primeiro Ferrari o 126 C4 em 1984
No ano seguinte, mil novecentos e oitenta e dois foi o seu ano de afirmação na formula 1, pois com o 011 bem desenvolvido, embora a lutar com a falta de cavalos perante os outros carros com turbo, possibilitou a Michele a sua primeira vitória em formula 1, no circuito desenhado no parque de estacionamento do Caesars Palace em Las Vegas, que mais parecia um kartodromo. Na equipa Lancia o ano era de estreia do novo LC1 grupo 6, pelo que os resultados também se sentiram disso, e a segunda presença em Le Mans com Teo Fabi e Rolf Stommelen quedou-se por uma desistência. Com os bons resultados da F1 Alboreto começou a ser cobiçado por muitas equipas, uma delas, a Ferrari, chegou a propor a "compra" de Michele à Tyrrel, mas tal não foi possível, pois a exigência de Ken Tyrrel era só a dispensa dos motores Ferrari turbo para equipar os Tyrrel. Alboreto enviou uma carta ao Comendadore a dizer que compreendia a sua posição, mas que ele não iria por uma questão de princípio
O seu último Ferrari o 88C em 1988
rescindir com a Tyrrel, o que deixou o Comendador Enzo Ferrari com um apreço ainda maior por Michele Alboreto, ao ponto de dizer:-"Quando Michele acabar o seu contrato terá um lugar na Ferrari à sua espera". Michele lá seguiu para o seu último ano de contrato com a Tyrrel que começou com o fiável 011 e que Alboreto conseguia outra vitória e novamente nos USA em Detroit. No seu último ano também com a Lancia, voltou a abandonar em Le Mans como novo Lancia LC2 agora equipado com um motor Ferrari V8 2.6 turbo de grupo C, desta vez na companhia de Piercarlo Ghinzani e Hans Heyer.
Com o Tyrrel 018 começou a época de 1989
Com o Lola/Lamborghini acabou a época de 1989
O Footwork/Porsche que tinha tudo para dar certo.
Vêm o ano de mil novecentos e oitenta e quatro, e como prometido a Ferrari tinha um lugar à sua espera, até porque tinha perdido uma grande referência no ano anterior, Gilles Villeneuve, e precisava te "tapar" esse lugar.  Alboreto ao sentir o "peso" da Ferrari e dos tiffosi resolveu centrar a sua carreira só na formula 1, deixando Le Mans por uns tempos de fora. Os seus cinco anos na Ferrari foram marcados por grandes momentos, conseguiu obter três vitórias e dezasseis pódios, mas nenhum título relevante, o melhor foi mesmo um vice campeonato atrás de Prost e o McLaren, em mil novecentos e oitenta e cinco.
O Lola/Ferrari da Scuderia Itália apenas era bonito
Depois de negociações com a Williams, para o ano de mil novecentos e oitenta e nove, que não chegou a bom porto, acabou por assinar novamente com a Tyrrel, mas não acabaria a época na Tyrrel. A meio do ano um novo patrocínio por parte da Tyrrel entrou em "choque" com o de Alboreto e Ken Tyrrel recusou negociar com o patrocínio de Alboreto pelo que levou a que o italiano deixa-se a Tyrrel e acabasse a época no Team Larrousse com um Lola LC89/Lamborghini V12.
O Minardi M194 foi o último F1 que guiou
A Footwork Grand Prix International apresentou um projecto ambicioso a Michele Alboreto para os próximos três anos, que o levou a assinar. Começariam no primeiro ano com um Arrows A11B para no segundo ano já terem o seu carro o Footwork FA12 movido por um motor Porsche V12. Os resultados desses anos foram desastrosos, pois o melhor desses anos foram por três vezes acabar em 5º lugar e em vinte e três grandes prémios ou desistiram ou não se classificaram!!!
Apenas no último ano com o modelo FA13 equipado com um motor Mugen/Honda V10 bem mais resistente, conseguiu apenas duas desistências e dois 5º lugares (dos três em três anos).
Em mil novecentos e noventa e três aceitou o convite da Scuderia Itália para pilotar o Lola T93/30 com motor Ferrari V12, mas também sem grande sucesso, com desistências e sem nunca ter acabado nos dez primeiros.
O Alfa Romeu 155 V6 DTM não foi o que Michele queria.
Team Scandia formula Indy em 1996/97
O seu último ano na formula 1 foi o de noventa e quatro com a modesta Minardi. O fim de Alboreto na F1 estava marcado, pois as equipas de ponta já não procuravam por Michele. Mesmo assim no fraco Minardi M194 ainda conseguiu no Mónaco, o circuito dos pilotos, um motivador 6º lugar, mas o seu tempo como piloto de formula 1 tinha chegado ao fim.
Vitória em Le Mans 1997 com  o Joest Team
Em mil novecentos e noventa e cinco Michele resolve relançar a carreira agora nos carros de turismo com a Alfa Romeu que com o modelo 155 resolveu apostar no DTM, mas sem sucesso, pelo que volta a repensar a carreira e "apontar" novamente para as corridas e resistência, ao mesmo tempo que com o "bichinho" dos formulas a atacar resolve também fazer uma experiência pelas terras do "tio Sam" com os formulas Indy.
Na ALMS com Joest Team e o Porsche LMP1
Com trinta e nove anos Michele Alboreto assina com a Joest Racing que fazia correr os TWR/Porsche no campeonato de resistência e nas ALMS-American Le Mans Series, ao mesmo tempo que, como já fazia uma parte da sua vida nos USA, também assinou pelo Team Scandia  que fazia correr um Reynard na formula Indy.
Com o Audi R8 em Le Mans 1999/2000
Alboreto esteve dois anos com este programa, e se na formula Indy não foi fácil tendo apenas conseguido por uma vez um 3º lugar, nos sportscars a conversa era diferente e no segundo ano na equipa Joest, em mil novecentos e noventa e sete, na companhia de Stefan Johansson, que já tina sido seu colega na Ferrari, e de Tom Kristensen venceu as 24 horas de Le Mans com o TWR/Porsche WSC95. Também nos USA eram equipa de ponta com a versão ALMS do TWR/Porsche e no ano de mil novecentos e noventa e oito com o novo Porsche LMP1 da Joest Racing. Em termos de Le Mans estas três participações com a Joest Team saldou-se por uma vitória como já referimos e duas desistências.
O Audi R8 na ALMS em Sebring 2001 ultima vitória
Mil novecentos e noventa e nove, um ano muito importante na sua "renovada" carreira, pois com os sucessos conseguidos no Team Joest, a Audi contratou Alboreto e toda a sua experiência acumulada para desenvolver o modelo R8. Foi o regresso de Michele a um grande construtor. O programa da Audi, também consistia em Le Mans e no ALMS e Michele fica por duas vezes seguidas em 3º lugar na 24 horas de Le Mans com o Audi R8 e com Rinaldo Capello / Laurent Aiello em noventa e nove e no ano dois mil com Christian Abt a juntar-se a Capello.
Dois mil e um era o ano para tentar nova vitória em Le Mans. Era para isso que a equipa se focava, quando depois de uma saborosa vitória nas 12 horas de Sebring com a "velha" dupla Capello/Aiello, se encontravam em testes na Alemanha, no rapidíssimo circuito de Lausitzring.
O Audi R8 após o acidente reparem que o pneu traseiro esq. desapareceu
No dia vinte e cinco de Abril quando os testes se centravam na velocidade de ponta, na recta da meta de Lausitzring, quando circulava a uma velocidade superior a 300 km/hora um pneu rebentou ao pisar um objecto na pista, e fez com que o Audi R8 levanta-se voo, capotando várias vezes e parando quando embateu no rail.
Terminava assim de forma inglória a carreira de um grande piloto e principalmente um grande homem, um homem de princípios e de palavra ... Michele Alboreto.